quarta-feira, 16 de julho de 2014

A ligeireza de Maria



A LIGEIREZA DE MARIA

QUEM NÃO LEMBRA DA INFÂNCIA
DOS ARTES QUE SE FAZIA
DAS CAÇADAS DE PREÁ
BANHO DE AÇUDE, PESCARIA
DO QUE VIVI NO PASSADO
VOU CONTAR DETALHADO 
A LIGEIREZA DE MARIA

FOI NA ERA DE SESSENTA
PRAS BANDA DE NOVA CRUZ
EU AINDA ERA PEQUENO
MAS O CAUSO ME SEDUZ
TRÊS VOLTAS É O LUGAR
FAZIAM BOLO DE FUBÁ
SEM TER NEM MOTOR DE LUZ

A HISTÓRIA É DE MARIA
COMADRE DE MEU PAI
POIS MORAVA NA FAZENDA
HÁ MUITO TEMPO ATRÁS
ALÉM DE PROLE NUMEROSA
MARIA ERA FORMOSA
BONITA E MUITO SAGAZ

QUEM É CRIADO NO MATO
SABE O QUE'U VOU FALAR
TERREIRO DE BARRO NO INVERNO
É DANADO PRÁ ESCORREGAR
SE O CABRA NÃO PRESTAR ATENÇÃO
METE A BUNDA NO CHÃO
QUE DÁ TRABALHO LEVANTAR

E O TERREIRO DE MARIA
NÃO PODIA SER DIFERENTE
ERA DE BARRO AVERMEIADO
NUMA DESCIDA VALENTE
TINHA UM LODO AZULADO
PARECIA SER PREPARADO
PARA DAR QUEDA EM GENTE

EU TAVA PASSARINHANDO
DE BALADEIRA NA MÃO
QUANDO AVISTEI PAPAI
VINDO EM MINHA DIREÇÃO
LEVANDO SUA MONTARIA
PARA O TERREIRO DE MARIA
ENCOSTANDO NO OITÃO

Ô DE CASA, PAPAI GRITOU
Ô DE FORA ELA RESPONDEU
PERGUNTOU: QUEM ESTÁ AI?
PAPAI FALOU - SOU EU
O SEU COMPADRE ROLDÃO
VENHO AQUI MAIS SEU JOÃO
PRECISANDO DUM FAVOR SEU

DIGA DE LÁ O QUE QUER...
É ÁGUA PRÁ BEBER BEM FRIA
MARIA ESTAVA NO BANHO
E JÁ PASSAVA DO MEIO DIA
COMO A VISITA FOI INESPERADA
ELA VESTIU-SE APRESSADA
E DA CALCINHA ESQUECIA

MARIA SAIU DO BANHEIRO
FOI DIRETO PRÁ COZINHA
PEGOU UM COPO NA MÃO
NOUTRA MÃO UMA QUARTINHA
A SAIA NEM CURTA, NEM COMPRIDA
PELOS CAMINHOS DA VIDA
A SURPRESA JÁ VINHA

QUANDO PISOU NO TERREIRO
LEVOU LOGO UM ESCORREGÃO
FICOU DE PERNAS PRO AR
A QUARTINHA PARTIU NO CHÃO

DESAPONTADA E COM FOME
NA FRENTE DAQUELE HOME
PERGUNTOU COM CERTEZA:
CUMPADE VIU MINHA LIGEREZA
VÍ, CUMADE,
SÓ NÃO SABIA QUE TINHA ESSE NOME.

Roldão Teixeira C. Filho, março de 2008

Simples assim =)

Um comentário:

  1. Oi Amanda!
    Linda prosa, eu já conhecia, mas adorei relembrar.
    Beijos!!!

    ResponderExcluir